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11 de dez de 2010

Encontros com a leitura   

 “Quantidade e qualidade coexistem, pois, na literatura infantil atual, na qual a produção massiva compete com sucesso no mercado de bens culturais e a emergência de autores criativos e críticos garante a excelência de alguns textos. A situação é tranqüila para o leitor, que precisa se salvar do bombardeio das obras massificadoras para chegar ao bom texto.” Vera Teixeira de Aguiar
                                                                
     Como afirma a professora doutora Vera Teixeira de Aguiar, a produção da literatura infantil atual, já garante a excelência de alguns textos.
     A idéia de que os livros infantis são muitas vezes simplistas, já  começa a desaparecer, quando vemos uma safra de bons autores nacionais. Antigamente, as histórias infantis estavam carregadas de preconceitos. O bom sempre vencia o mau, toda a menina era doce, as pessoas eram boas ou totalmente más. Os livros inculavam com eficácia conceitos machistas – “homem não chora” – ou preconceitos de qualquer natureza.
     Regina Zilberman e Marisa Lajolo comentam em seu livro Um Brasil para crianças que a literatura infantil apresenta novas tendências em função da nova noção de infância. Hoje, a criança que se apresenta é uma criança inquieta, crítica, participante. Já não aceita com tanta facilidade os livros que são escritos para ela. As crianças de hoje buscam no livro mais do que infantibilidade. Ela admite que os heróis do texto sejam crianças, mas não aceita ser  tratada de forma imbecilizada. A criança percebe no texto quando a pintura que dão a ele é artificial e desgosta dele. Mostrar à criança a felicidade acompanhada fielmente da virtude, e o infortúnio, do vício, é dar a idéia inexata da vida e preparar-lhe futuras amargas decepções.
     A infância é criadora de harmonias e de belezas, quer nos cantos e nas rodas, quer nos brinquedos, no desenho, nos trabalhos manuais, na dramatização. Tudo isto nos adverte da necessidade de, na literatura infantil, dar à criança alimento substancioso à imaginação e de acordo com a sua sede de beleza e harmonia.
     Mas enquanto as crianças pedirem este alimento, parece-nos que nós grandes, não devemos ter escrúpulos em concedê-lo, deixando-as naquele mundo de ilusões tão agradavelmente mágicas e reais ao mesmo tempo, que constituirão para elas, quando se tornarem grandes, assim como os brinquedos abandonados e as carícias maternas – o fundo delicioso da infância.   



Depois da leitura do livro  O rapaz que não era de Liverpool, de Caio Riter, os alunos conversam com o escritor


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